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segunda-feira, 22 de junho de 2015

A SEGUNDA TEMPORADA DE TRUE DETECTIVE É MAIS SOMBRIA DO QUE SE IMAGINAVA

Da esquerda para a direita: Vince Vaughn, Rachel McAdams, Colin Farrell e Taylor Kitcsh (Créditos: Divulgação)
No instante em que os créditos do último episódio de True Detective apareceram e a história de Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Marty Hart (Woody Harrelson) chegou ao fim, as especulações sobre a segunda temporada da série que virou a queridinha da mídia e do público tiveram início. Sabendo que McConaughey e Harrelson não voltariam, dezenas de nomes começaram a ser apontados.
Mais de um ano depois, a série retorna com o dobro de protagonistas e expectativas.
A frase que estampa os pôsteres de divulgação da segunda temporada de True Detective (que estreia no próximo domingo (21), na HBO) é “Temos o mundo que merecemos”, o que serve como um grande resumo para o tom que a trama ganha em sua nova season: as consequências dos caminhos escolhidos por cada protagonista. Com passados sombrios, demônios pessoais que nunca foram embora e a certeza que o futuro não trará uma realidade melhor, é como se cada um dos quatro personagens principais estivesse lutando para prolongar uma existência que já não faz muito sentido. Sem a química McConaughey-Harrelson (por vezes tensa, por vezes engraçada) e os cenários misteriosos da Louisiana, somos entregues a uma realidade atormentada de concreto e tijolos, sangue e lágrimas, arrependimentos e ruas sem saída.
Taylor Kitsch (Créditos: Divulgação)
Taylor Kitsch (Créditos: Divulgação)
Se alguém se isolasse da humanidade em 2005 e retornasse em 2015, tomaria um susto ao encontrar as estrelas da série da HBO realizando papéis tão peculiares. Dez anos atrás, Colin Farrell estrelava o fracasso de crítica AlexandreVince Vaughn interpretava papéis fanfarrões em comédias escrachadas como Penetras Bons de Bico, enquanto Rachel McAdams era a nova namoradinha americana depois de filmar Diário de uma Paixão. O único rosto desconhecido até então era Taylor Kitsch, que ainda estava a um ano de estrear a série Friday Night Lighs.
A temática da cidade está muito presente. Viajando para o sul da Califórnia, na cidade fictícia de DaVinci, a história gira em torno do brutal assassinato de um burocrata que estava prestes a selar um acordo com Frank Seymon (Vaughn), mafioso que está tentando sair da ilegalidade, na tentativa de se tornar um empreiteiro de sucesso. O corpo é encontrado por Paul Woodrugh (Kitsch), um policial rodoviário incapaz de demonstrar qualquer tipo de sentimento depois de voltar da Guerra do Iraque. Antigoni “Ani” Bezzerides (McAdams) é a detetive estadual assombrada pelo passado trágico de sua família que acaba sendo enviada para investigar o caso e ficar de olho em Ray Velcoro (Farrell), policial corrupto que, por sua vez, está lá para atrapalhar ao máximo a investigação de seus colegas de profissão.
O personagem de Colin Farrell é a coisa mais próxima que a segunda temporada da série tem de Rust Cohle – pelo menos no que diz respeito ao pessimismo e às frases de efeito. As semelhanças acabam aí e, pelo menos no primeiro episódio, parece impossível simpatizar com Velcoro. Essa situação pode mudar dependendo do desenvolvimento do personagem, o clássico perdedor machão que é escrito com maestria pelas mãos de Nic Pizzolatto, produtor executivo e roteirista da série.
O talentoso escritor só erra na hora de entregar uma personagem feminina forte. A sorte de Antigoni, porém, é ser interpretada por Rachel McAdams no momento que seu talento parece alcançar um auge inesperado. A química que a atriz demonstra com o roteiro lembra a qualidade da atuação de McCounaghey na primeira temporada. É muito provável que, ao fim dos oito episódios, ela seja a grande beneficiada do show.
Dos próximos episódios se espera aquilo que a primeira temporada entregou muito bem: a tensão a todo instante, ansiedade pelo desenvolvimento de cada personagem – que também são mais interessantes do que a história principal, assim como no ano passado – e a certeza que ninguém está a salvo.
É improvável, mesmo que ainda seja cedo para dizer, que a segunda temporada da série superará seus oito episódios anteriores. Ainda assim, foi fácil perceber que, mesmo numa roupagem diferente, mais sombria e por vezes nauseante, com muitos personagens complexos para pouco tempo de devenvolvimento, True Detective ainda carrega o título da primeira temporada: uma das melhores coisas que a TV entregou nos últimos anos.

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