Era uma vez uma revista que era nossa melhor amiga, que nos ensinou tantas coisas, que esteve por perto tantas vezes. Era uma vez uma revista que nos ensinou a botar um gelo dentro do copo pra treinar o beijo, que nos ensinou a usar o look certo pra ir ao cinema, que nos ensinou até como conquistar aquele gato em 27 passos.
Falo tudo isso, pois hoje foi anunciado o fim da revista Capricho. O título que encantou e ensinou gerações, lançou Gisele ao estrelato, entre outras muitas influências, encerra suas atividades. O nome segue na internet, mas mesmo assim pra mim tá longe de ser a mesma coisa. Ao mesmo tempo que sou forte entusiasta desse meio cibernétio (pq será?!), também tenho meu momento de ler revista impressa.
Hoje os tempos são outros, a internet taí pra multiplicar a informação sem esperar a próxima edição, as regras tão aí pra gente quebrar e o adolescente de hoje não é o mesmo dos anos 80-90. Será que a razão é essa? Será que as revistas estão ficando ultrapassadas ou tudo é apenas culpa da economia? Acho que um pouco de tudo.
Dos, dont’s, machismos e pré-conceitos, sei que muito que rolava nas décadas passadas, hoje é obsoleto e questionável, mas ao mesmo tempo que é desnecessário fazer o teste pra descobrir se ~você é fera na paquera~, nas páginas da revista aprendemos muitas coisas legais, desconstruímos mitos e tiramos aquela dúvida que sequer perguntaríamos pra amiga mais próxima, a Capricho era mais do que isso.
Um assunto que hoje pode ser corriqueiro e de conhecimento geral, nas páginas da revista quebrou-se tabus e foram abordados assuntos como sexo, racismo, body shamming, preconceito, bullying ou simplesmente debatíamos quem seria o próximo colírio. Ah, se você foi adolescente nos anos 90, certamente aprendeu que “Camisinha: Tem que usar”, nas páginas da revista, lembra?
Sigo me questionando se os jovens de hoje não querem mais ir às bancas comprar uma revista, relaxar e entrar nesse fantástico mundo colorido por 40 minutos e 150 páginas? Ou, afinal, é tudo culpa mesmo da economia e o jornalismo sofre mais um baque e perde não só esse como outros títulos e profissionais (aqui tem uma matéria que fala mais do fim da revista e da transição de outras publicações)?!
Por razões óbvias – 33 – eu não era mais o público direto da Capricho, mas vez ou outra gostava de ler e via uma revista muito bem feita. Nem de longe imaginava que ela poderia ser mais uma vítima do mercado, como aconteceu com a querida Gloss anos atrás.



0 comentários:
Postar um comentário