Parecia uma jovem carioca falando. Até que, antes de declamar o primeiro poema da apresentação, ela avisou: “Vou ler com o sotaque original”. E aí, pebolim virou algo como “pévolim”, e baleia saiu “baléia”. Era a poeta Matilde Campilho recitando seus versos com a pronúncia de nascença. Foi muito bem recebida: pelos versos de imagens fortes e metáforas e, claro, pela eTida como revelação da lírica em língua portuguesa, Matilde nasceu em Portugal e passou três anos recentes no Rio – o que explica por que se sai bem no “carioquês”. Publicou um único livro, “Jóquei”, e posta “videopoemas” no YouTube. No fim da tarde desta quinta-feira (2), a candidata a musa da 13ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) dividiu a mesa chamada “A poesia em 2015” como brasileiro Mariano Marovatto. Meio tímido e mais discreto, ele se saiu bem ao se autodepreciar, brincando de criticar os livros antigos – menos o mais recente e outro sobre a Legião Urbana.
Matilde ganhou muitos aplausos, nas leituras e nas falas convencionais. “A gente está aqui, com pessoas lindas, mas o mundo está todo arrebentado, aqui, na Europa, na Síria. Está tudo difícil”, comentou, meio que justificando a necessidade da poesia (ela diz que coloca “poeta” ao preencher fichas de hotel).
“É preciso, sim, desenhar, é preciso fazer canções. A poesia, a música uma pintura, isso não salva o mundo, mas salva o minuto. E é suficiente. A gente está aqui para dançar um pouco sobre os escombros. O cirurgião vai tentar salvar todas as vidas que puder. A gente vai poder salvar os segundos – da minha vida, da vida de todos meus amigos.” Foi bastante aplaudida.
Comentou ainda sobre as dificuldades de ser poeta em Portugal. “Poesia é uma palavra difícil, pesada, pelo menos no meu país”, afirmou. “Por quê? Porque tem Camões, porque tem Pessoa. A gente é só criança brincando no ‘play’.”ntonação lusitana. Teve gente na plateia que chorou.



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